|
|
| Troca de profissão exige mudanças pessoais | | Fonte: Jornal "O Estado de São Paulo" - 02/06/03 | O craque de futebol Raí trocou o campo por trabalho social e reuniões de negócios
O craque de futebol Raí acertou, na Espanha, os detalhes finais de sua sociedade com a empresa espanhola Makeateam, que, entre outros serviços, oferece treinamento e programas de imersão para altos executivos.
Ao ex-jogador caberá a tarefa primordial de associar a reputação obtida na carreira de esportista à imagem da empresa de Jorge Valdano, diretor-geral do Real Madrid, time espanhol no qual Raí trabalhou.
"Meu papel é ser a imagem da empresa", diz . A responsabilidade institucional não impedirá, no entanto, que presidentes de empresas, diretores e gerentes em geral de companhias do Brasil e do exterior tenham palestras, jogos e treinamentos conduzidos por Raí, que irá atuar pessoalmente em alguns projetos.
O preparo para a convivência e a montagem de uma equipe de trabalho, tão fundamental para o esporte, é um fato que faz o meio corporativo se interessar pelo expertise de ex-atletas para dar lições ao mundo corporativo, identificando pontos de tensão e melhora de performance dos homens de negócios. "A experiência do trabalho em time me ajudou muito. Isso o esporte te dá e é um grande patrimônio", concorda Raí. Com a ação, a Make quer ampliar sua atuação no Brasil, onde já é responsável pelo atendimento aos executivos do banco Santander, por exemplo.
No último dia 15, data de seu aniversário de 38 anos, o jogador contou que a parceria com a Make representa mais uma conquista para ele mesmo e para a Fundação Gol de Letra, organização não-governamental em que atua como sócio-presidente. "Tudo o que faço hoje em dia procuro reverter em benefícios para a fundação. Um dos termos do acordo prevê parte dos recursos para a Gol de Letra."
Ciclo - Depois de 20 anos atuando em campo, Copa Mundo de 1994 no currículo, e dois anos de aposentadoria como jogador, Raí não hesita quando é questionado sobre sua carreira atual. "Sou um empreendedor social." Ainda que sua atuação como jogador tenha sido intensa, com ingresso e saída precoces dos campos, a história é comum a milhares de profissionais que em um período da carreira, mesmo que bem sucedida, encerram um ciclo e procuram estímulo para começar uma nova profissão.
Daí, lembra o craque, a importância de ter planos e procurar meios para garantir uma transição de carreira saudável. "Foi um momento complicado em vários aspectos na minha vida. Afinal, depois de quase duas décadas como jogador de futebol chega o momento de pensar: E agora, o que você vai fazer?", lembra. "Me ajudou muito a idéia antiga de criar uma fundação."
Uma pergunta crucial diz respeito ao impacto da migração para um trabalho que exige rotina de executivo, como a análise de relatórios, preparo de orçamento, reuniões com homens de negócios. "Tive e tenho de me reinventar.
Como atleta, vivia em um ritmo muito diferente. Treinava ao ar livre, andava de roupa esportiva e trabalhava nos finais de semana; folgava na segunda-feira", conta. "Hoje, por exemplo, fazemos uma reunião de planejamento estratégico que dura até oito horas. Cansa mais do que três jogos seguidos. Mas estou feliz."
|
Voltar para notícias |
|
|
|
|
 |
|