12/01/2015
Dia do Empresário Contábil 2015

Os desafios da atuação mais sofisticada

Alteração frenética da legislação exige constante aperfeiçoamento. Além disso, as grades curriculares também sofreram mudanças

Mudanças impostas nos últimos anos, como a adoção dos padrões internacionais de contabilidade  International Financial Reporting Standards (IFRS) e a implantação do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), com aumento das exigências do Fisco, dão um novo papel ao empresário contábil junto a seus clientes.

O cenário também exige mais desses profissionais para acompanhar e tornar claras as frequentes alterações na legislação fiscal e tributária, orientar a operação de sistemas informatizados, conhecer normas mas internacionais e manter equipes capacitadas para assegurar a agilidade que se impõe com as mudanças que são implantadas.

Tecnologia e treinamento constante são ferramentas fundamentais para garantir a qualidade necessária aos serviços prestados.

Sofisticação

"O contador sempre foi um consultor, mas agora está mais sofisticado", afirma o presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisa no Estado de São Paulo (Sescon-SP), Sérgio Approbato Machado Júnior. "As mudanças aproximaram o dono das pequenas empresas dos empresários da contabilidade, e essa aproximação está valorizando cada vez mais este profissional", diz.

Mas o novo cenário também trouxe novos desafios. "Foi preciso reaprender a contabilidade, conhecer mais o negócio", diz o sócio da King Contabilidade, Márcio Massao Shimomoto. Para ele, o controle da inflação funcionou como um divisor de águas na relação entre os empresários contábeis e seus clientes. "Com a inflação em 70% ao mês, os números não representavam nada; quando a inflação foi controlada, eles passaram a servir realmente como ferramenta de gestão", analisa o sócio da King Contabilidade. A internacionalização dos padrões contábeis e o sistema digital reforçaram esse relacionamento.

Novos desafios

"Atualmente é preciso ter um perfil mais de gestor, saber administrar o negócio, gerir pessoas, lidar com conflitos internos que surgiram com os prazos mais curtos impostos pelo Fisco, especializar-se mais em finanças e saber vender o conhecimento", resume o diretor do grupo Oberle, Fernando Oberle. "Não adianta mais atuar apenas como um escritório contábil. O contabilista hoje tem de implantar sistemas, parametrizar, colocar a legislação em linguagem fácil. Tem que sair de trás da mesa e estar dentro do cliente. Ele tem papel fundamental na tomada de decisão", acrescenta. 

Oberle mantém em carteira atualmente 180 clientes ativos e diz que as exigências aumentaram, muitos passaram a pedir, por exemplo, balancetes mensais, mas considera que o retorno financeiro não veio na mesma medida, e também enfrenta inadimplência.  Para ampliar a prestação de serviços e atender a maior demanda, a empresa firmou parcerias para oferecer, por exemplo, auditoria e consultoria financeira e em gestão.

Ter conhecimento de tecnologia, de tributação, de negócios internacionais, falar outros idiomas e se manter atualizado são alguns dos principais desafios dos profissionais da área apontados pelo presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRC-SP), Claudio Filippi. A partir deste ano, será exigido curso superior para obtenção do registro nos CRCs, necessário para a abertura de empresas. No caso dos cursos técnicos, apenas os formados até 1º de junho poderão prestar o Exame de Suficiência para obter o registro da profissão.

Os maiores desafios impostos a esses profissionais provocaram um efeito em cadeia em todas as entidades vinculadas à área, com crescimento no número de palestras, seminários, oficinas e cursos, inclusive a distância, para garantir a capacitação necessária ao atendimento das novas regras. A Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon) oferece pelo menos dois cursos todo mês, que podem ser feitos via web e, em 2014, contaram com seis mil participantes, informa o presidente da entidade, Mario Berti. Pelos dados da Fenacon, são hoje 90 mil empresas atuantes na área, com faturamento médio mensal de R$ 60 mil. Berti diz que também os sindicatos já se mobilizam para oferecer cursos de formação de gestores. Com as novas exigências do mercado, algumas empresas estão fechando contratos de experiência por 90 dias para medir a demanda que o cliente terá e depois adequar os preços.

 

Aperfeiçoando sistemas

Muitos profissionais de contabilidade participaram de projeto piloto das várias etapas do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) e auxiliaram no aprimoramento de regras.

Em menos de cinco anos - o processo começou em 2005 e foi implantado em 2009 -, os profissionais de contabilidade, em conjunto com outros profissionais, foram responsáveis pela criação de um sistema único que facilitou a vida de mais de meio milhão de contadores que trabalham em quase 50 mil organizações contábeis espalhadas no território nacional.

Contadores, além de administradores, economistas, advogados e profissionais da área de tecnologia de informação, não só mudaram para sempre a rotina de quem se debruçava até pouco tempo atrás sobre pilhas e pilhas de planilhas, livros e folhas de papel, como também revolucionaram o processo de fiscalização tributária no País e o relacionamento entre o Fisco (federal, estadual e municipal) e os contribuintes.

Graças ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) que ajudou a criar, o contador tem hoje mais tempo não apenas para se dedicar a atividades estratégicas, mas também para se aprimorar, conquistar clientes e ainda sair à frente da concorrência.

"Os contadores, por meio da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon) e do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), colaboraram, e muito, para tornar mais eficaz e próximo da realidade a construção e o aperfeiçoamento de cada um dos projetos do Sped", diz o diretor de assuntos legislativos, institucionais, sindicais e do trabalho daFenacon, Antonino Ferreira Neves.

Segundo Neves, a participação efetiva e decisiva dos contadores nos grupos de trabalho, por sua essência profissional e conhecimento nas áreas contábil, societária, tributária, trabalhista e previdenciária, fez a diferença na criação e, agora, no sucesso das modalidades do Sped. "É importante ressaltar também que, por trabalharem diretamente com o manuseio, o envio e o atendimento de todas as obrigações acessórias exigidas pelo poder público, os profissionais contábeis foram decisivos no desenvolvimento desse projeto", acrescenta.

Ele lembra que o governo federal também teve participação decisiva no projeto ao colocar à disposição dos grupos de trabalho profissionais capacitados para a coordenação e para o avanço técnico do Sped.

"O Sped, que futuramente deverá substituir todas as obrigações tributárias quando estiver totalmente implementado e aperfeiçoado, permitiu inverter os papéis entre os setores público e privado", lembra o vice-presidente administrativo do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis de São Paulo (Sescon-SP), Wilson Gimenez Júnior. "Agora, em vez de o Fisco ir até a empresa, a empresa vai até ele", completa.

O Sped substitui o Livro Diário e o Livro Razão por arquivos digitais, acelerou o processo de fiscalização tributária com o cruzamento de dados e eliminou todo e qualquer arquivo morto que armazenava documentos fiscais. Enquanto no passado o escritório contábil se ocupava em viabilizar o pagamento de impostos devidos e a escriturar manualmente as informações das notas fiscais emitidas, hoje passou a ser usado como consultoria, transformando-se em braço direito das empresas em decisões estratégicas de negócios.

Com exceção do eSocial (Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas), que ainda está em processo de implementação, todos os outros braços do Sped já estão em pleno funcionamento. "Com a entrada em operação do eSocial, o circuito estará fechado", afirma Gimenez Júnior, também sócio-fundador da Datamétodo Gestão Contábil. O eSocial tem a finalidade de realizar o registro e controle das relações dos contratos de trabalho entre empregador e empregado nas áreas trabalhista, previdenciária e fiscal.

Para recordar

Objetivos. Com a finalidade de eliminar entraves burocráticos para a expansão econômica nacional, o Sped foi anunciado em 2007 pelo governo federal

No início. Os primeiros passos do sistema foram dados com a Escrituração Contábil Digital (ECD), a Escrituração Fiscal Digital (EFD) e a Nota Fiscal Eletrônica (NFe)

Mudanças. A principal preocupação dos contadores foi o grau de amarração das informações e a nova parametrização do sistema, visto que o Sped é dividido por blocos

Benefícios. O sistema simplificou a interação de contadores com o Fisco, tornando o trabalho mais simples e menos burocrático, segundo alguns profissionais

 

Acessórios ampliam faturamento

Oferecer diversificação do atendimento para a carteira já estabelecida contribui para maximizar a receita dos escritórios contábeis. Adicional no rendimento pode ser de até 25%.

A transformação que a contabilidade brasileira passa tem gerado impacto direto nos serviços prestados pelos contabilistas e contadores.

"Fazer a contabilidade em si já está ultrapassado. O empresário contábil tem que se preparar para prestar serviço de gestão aos seus clientes", afirma o ex-presidente da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis (Fenacon), Valdir Pietrobon.

"Esse profissional passou de simples registrador das informações contábeis das empresas a verdadeiro consultor dos empresários, exercendo papel muito importante na tomada de decisões e no desenvolvimento econômico e social das empresas", avalia o presidente do Sindicato dos Contabilistas de São Paulo (Sindcont), Jair Gomes de Araújo.

"Para o profissional da contabilidade, existem muitas oportunidades de atuação em vários mercados", considera o vice-presidente de administração e finanças do Conselho Regional de Contabilidade de São Paulo (CRC-SP),Gildo Freire de Araújo.

As novas obrigações

De fato, o empresário contábil está ganhando destaque dentro dos negócios dos seus clientes. Se antes eles eram responsáveis apenas por fazer o lançamento contábil, tributário e a folha de pagamento, hoje esses profissionais fazem projetos financeiros, análise de viabilidade de um novo negócio, constituição e alteração de sociedades, emissão de certidões, Declaração Comprobatória de Percepção de Rendimentos (Decore); recálculo de tributos, consultoria, elaboração de contratos, preparação de documentos para participação em licitações, entre outros serviços. Em algumas firmas de contabilidade, esse trabalho extra já representa cerca de 40% do faturamento.

O fato é que as empresas de contabilidade têm visão ampla do negócio do seu cliente e contam com mais facilidade para preencher os documentos, fazer a análise dos negócios ou prestar consultoria.

"O profissional de contabilidade tem que estar preparado não só para as mudanças nas leis, mas até para a necessidade que o contador identifica ao processar a contabilidade da empresa, porque ele tem base para identificar necessidades pontuais do cliente", comenta Geuma Nascimento, da Trevisan Gestão e Consultoria. Mas o fato é que "nem todos os escritórios estão qualificados ou preparados para oferecer serviços que não são triviais", avalia o coordenador de graduação e pós-graduação em ciências contábeis do Ibmec-RJ, Raimundo Nonato Silva.

Nicho de mercado

Apesar de ser um nicho de mercado em expansão e que pode garantir bons rendimentos aos profissionais contábeis, ainda são poucos os escritórios que prestam serviços especiais aos seus clientes.

Estudo realizado pelo empresário contábil Roberto Dias Duarte revela que as organizações contábeis ainda não veem os serviços personalizados como principal diferencial. Segundo o levantamento, serviços personalizados, variedade de serviços e atuação especializada no mercado dos clientes foram apontados, respectivamente, por 33%, 26% e 17% dos entrevistados como o principal diferencial. Para quase 70% das organizações contábeis pesquisadas, um de seus principais diferenciais é o cumprimento rigoroso das obrigações acessórias. "Mas isso não pode ser um diferencial. É a obrigação do profissional", destaca Duarte. A pesquisa revela ainda que as organizações que prestam serviço personalizado tiveram aumento de 25% na receita nos últimos três anos, enquanto dos que consideram o preço como diferencial apenas 1% conseguiu atingir essa taxa de crescimento.

As obrigações da classe

Contrato. Em 2013, o Conselho Federal de Contabilidade publicou a Resolução 1.457, que regulamenta a obrigatoriedade do contrato de prestação de serviços contábeis

Objetivos. O contrato escrito tem por finalidade comprovar os limites e a extensão da responsabilidade técnica, permitindo a segurança das partes

Valores. A nova regra estabelece que o profissional de contabilidade estipule a fixação do valor dos serviços contábeis por escrito para seus clientes

Quebras. O rompimento do vínculo contratual implica a celebração de distrato entre as partes com a especificação da cessação das responsabilidades dos contratantes

 

Peça-chave nas empresas

A auditoria de balanços tem como missão identificar erros, diferenças e desvios dos princípios contábeis que afetem as demonstrações financeiras.

O investigador de fraudes acabou se tornando peça fundamental para as organizações. Ele é o profissional que apura desvios de conduta, suspeitas de fraude e pode evitar graves impactos nas empresas.

De acordo com a pesquisa "O retrato da fraude corporativa no Brasil", da ICTS, empresa especializada em consultoria, auditoria, gestão de riscos e prevenção à fraude, a maioria das fraudes cometidas nas empresas brasileiras possui um impacto de mais de R$ 100 mil. A pesquisa reuniu dados de 92 fraudadores confessos entre 2009 e 2014.

O levantamento apontou que o maior fraudador possui mais de cinco anos de tempo na empresa, tem de 25 a 44 anos e nível de decisão estratégico. Revela também que 41% dos fraudadores atuam na área administrativa. Dos entrevistados, 32% estão no ramo da construção civil, demonstrando que a fraude ocorre com mais facilidade quando há negociações com fornecedores e prestadores de serviços.

Segundo o sócio da ICTS, Fernando Fleider, a investigação de fraudes pode impedir consequências graves. "Tivemos casos em que conseguimos evitar que pessoas envolvidas em esquemas fraudulentos assumissem posições de destaque." Fleider é cauteloso e convicto. Para ele, nenhuma empresa está livre dos fraudadores: "Todas as empresas sofrem fraude, de menor ou maior grau e quantidade", complementa.

Apesar da semelhança entre auditoria e investigação, os dois procedimentos são de motivações diferentes. A auditoria deve ser realizada como rotina preventiva, já a investigação de fraude é realizada quando existe uma indicação ou suspeita.

Para o diretor da Direto Contabilidade, Gestão e Consultoria, Silvinei Toffanin, o investigador de fraudes deve ser um profundo conhecedor do mundo dos negócios para detectar a fraude rapidamente. "O perfil desse profissional é de uma pessoa que vive ou viveu em um universo corporativo. E le também precisa conhecer áreas além da contabilidade, como a área jurídica, por exemplo", diz Toffanin.

O gerente de auditoria da Crowe Horwath, Rodrigo Sanz Calvo, acredita que um dos principais benefícios que o investigador de fraudes pode trazer para as empresas é o fim da sensação de impunidade. "A atuação constante do investigador auxilia na prevenção, uma vez que uma das principais causas da fraude, alegada por quem já praticou o ato, é o sentimento de 'nunca serei descoberto'". Para o sócio-líder da área de investigação de fraudes da Ernst & Young (EY), José Compagno, a boa investigação é feita em equipe. Além do contador forense, o especialista em tecnologia forense é essencial. "Mas os dois precisam seguir a mesma linguagem, conversar claramente, para que o trabalho se complemente.", indica.

 

Tecnologia ajuda na gestão de escritório contábil

Se, por um lado, os profissionais contábeis têm papel decisivo nos negócios dos seus clientes, cuidando de vários aspectos para garantir uma gestão de custos eficiente, por outro, o mesmo nem sempre ocorre dentro do seu escritório.

"O controle de custos é uma necessidade constante e deve estar sempre presente nas decisões e no planejamento dos negócios de modo geral", destaca o vice-presidente do Conselho Regional de Contabilidade de São Paulo (CRS-SP), Gildo Freire de Araujo. Entre as dicas dos especialistas, está a utilização do processo eletrônico, além de uma equipe em constante treinamento. "As empresas contábeis precisam de líderes capacitados para dar treinamentos e acompanhar os trabalhos realizados. O não cumprimento de obrigações acessórias por parte do empresário da contabilidade pode gerar multas. O cumprimento de forma incompleta ou errônea pode causar enormes prejuízos à organização", destaca Araujo.

"Hoje temos sistemas que podem mapear os custos do escritório e mensalmente é possível fazer o acompanhamento da carteira de clientes, inclusive com comparativos", sugere o presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas no Estado de São Paulo (Sescon-SP), Sérgio Approbato Machado Júnior. Para ele, com esses sistemas é possível ainda identificar se o custo da firma contábil aumentou por conta de alguma mudança no mercado.

 

A transparência e a responsabilidade corporativa

Informações e procedimentos contábeis, fiscais e trabalhistas precisos, transparentes, claros, úteis e disponíveis representam hoje, de acordo com empresas de auditoria, um poderoso fator de vantagem competitiva para as companhias, independentemente do tamanho.

Adotar essas práticas significa não apenas dar passos em direção à governança corporativa, mas também possibilitar a obtenção de crédito e ampliar os negócios. Não custa lembrar que transparência e prestação de contas -consideradas pilares fundamentais da governança corporativa - são princípios básicos no mundo das grandes corporações. Mas agora já vem se disseminando entre as MPMEs.

"A transparência e a prestação de contas, além da responsabilidade corporativa, são fortalecidas com o papel do auditor interno no monitoramento dos negócios para o alcance dos objetivos", diz o gerente da área de RiskAdvisory da empresa de consultoria BDO, Luiz Fiore.

Segundo ele, a função efetiva de uma auditoria interna auxilia a organização a melhorar seus processos de negócios com a atribuição ou delegação clara de responsabilidades e com a visão integrada do ambiente de negócios.

Fiore lembra que, até pouco tempo atrás, apenas as áreas de controladoria e de contabilidade se preocupavam com controles e riscos. Mas hoje todas, incluindo as áreas operacionais, mostram-se mais preocupadas com a gestão de riscos de negócios e demandam trabalhos de auditoria interna.

 

Planejamento auxilia na competitividade

Aliviar, reduzir e, em alguns casos, até eliminar a carga tributária estão entre os grandes desafios do planejador tributário, que busca alternativas legais às quais ele possa recorrer com a finalidade de calcular impostos que, rigidamente, precisam ser recolhidos ao Fisco.

Segundo especialistas do setor, o contabilista passou a ser peça fundamental na elaboração e execução desse planejamento, cujo objetivo é buscar menos ônus fiscal sobre operações e produtos.

Sócio-fundador da WFaria Advogados, Wilson De Faria avalia que o planejamento tributário é hoje uma atividade quase artesanal, e a solução para cada empresa deve ser sempre "tailor made". Em outras palavras, isso quer dizer que, no mundo fiscal, não existem dois casos iguais. Assim, o modelo fiscal precisa ser planejado sob medida para cada empresa, mesmo sendo do mesmo setor de atividade. Ele avalia que nem sempre um estudo do planejador tributário visa reduzir a carga fiscal, mas definir quais impostos são devidos. Muitas vezes, segundo ele, não está claro para o contribuinte quais impostos deve pagar.

Gerente tributário da Studio Fiscal, José Gado acrescenta que o planejamento tributário também é excelente ferramenta de atuação no mercado, pois pode torná-la mais competitiva, uma vez que terá condições de ofertar um produto ou serviço a preço mais baixo pela redução no seu custo tributário.

 

Definir preço de serviços especiais ainda é um desafio

Definir o valor a cobrar pelos serviços especiais prestados aos clientes é um dos desafios para os escritórios de contabilidade. Diferentemente dos serviços tradicionais, os especiais não contam com tabela de preços e, por isso, a cobrança nem sempre é tarefa fácil.

"Não há tabela de preços. Mas, assim como um advogado, a precificação vai depender do currículo da banca, experiência e tradição", comenta o presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas no Estado de São Paulo (Sescon-SP), Sérgio Approbato Machado Júnior.

Na maioria dos casos, os escritórios de contabilidade levam em consideração o valor cobrado pelos concorrentes. É o que mostra estudo realizado pelo empresário contábil Roberto Dias Duarte, que aponta que 65% das organizações contábeis praticam preços dentro da média de mercado.

"Antes de precificar, é importante alinhar as expectativas entre cliente e prestador de serviço", sugere Jaime Rodrigues, da Trevisan Gestão e Consultoria. Segundo especialistas, é preciso definir os elementos de custeio do serviço e os recursos que serão alocados para o projeto. "A percepção de valor que o cliente tem sobre o serviço prestado e a qualidade dos mesmos também definem o valor a ser cobrado", considera o coordenador do MBA em contabilidade do Ipog, Edgar Madruga.

 

Fonte: DCI